quinta-feira, 10 de abril de 2014

Intimidades - Estados d'Alma

Nelson Teixeira da Silva, um Poeta de eleição.

     Nasci aqui, nestas fragas milenares, no Outeiro de Mondim, paredes meias com o quelho do lubisomen que, das Lajes, pela Costeira ligava ao casarão. Corria 1954. Era Março e debutava a Primavera. Na boca de minha mãe, abri os olhos de espanto quando, às 09.30h de 23, sorvi pela primeira vez ar e luz “ao natural”. Todas as primeiras vezes me foram de espantar. Foi parteira – e madrinha me seria – a Rosinha do Requinta. Os quatro anos de instrução primária fi-los na escola da Igreja. Aos doze comecei e conclui, no Externato de Nossa Senhora da Graça, o curso geral dos liceus. Daí me vem o bichinho das letras, da poesia em particular, pela mão do, então, Diretor Doutor Nelson Vilela, professor, poeta, escritor, formador de professores já, ao tempo, autor de vasta e consagrada obra. Com muito futebol pelo meio, no CRP Mondinense e Mondinense F. C. chega o 25 de Abril de 1974. Eram horinhas de trabalhar. Nos extintos Serviços Federados Municipais, depois absorvidos em 1982 pela EDP, me incorporei não sem antes ter passado à reserva territorial por excesso de tropas com o fim da guerra colonial. Concluído, entretanto, o curso complementar dos liceus, o bichinho, em letargia, dava mostras de emergir. E fui passando ao papel algumas coisitas que redundaram num livrito que dei à luz em 2010. De longa gestação e parto difícil, que sem o empurrão e empenho de família e amigos estaria, certamente, condenado ao eterno esquecimento. Caminho que vou fazendo, a observar desbravando, sinuoso caminho que, não sendo de ferro é, contudo, caminho de via estreita porque não terei nunca, argumentação quanto baste para seguir ao lado de quem viaja em via larga. Por aí, por essa via Navega a alma da gente Dando voz à poesia Nas horas de cada dia Ditando o que a alma sente. Vou em 58 anos. Fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro. Assim se realiza um ser humano. Tenho dois filhos, uma mulher, plantei muitas árvores … falta-me o segundo livrinho. Com algum esforço, talvez para o ano. É ou não verdade que é caminhando que se vai cumprindo o caminho?
 Nelson T. Silva
in jornal "netbila".

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