Teria sido um excelente dia para apresentar o livro " A Raposa Sebastiana". Prefácio para o livro A raposa Sebastiana, de Beatriz Lamas Oliveira
A Sebastiana é uma raposeta das autênticas; uma verdadeira representante da espécie raposina. Seguramente de estirpe aristocrática, como sugerem os nomes dos progenitores, D. Fuas e D. Mécia; e faz jus à sua genealogia, com as maneiras herdadas de muitas gerações de Salta-Pocinhas, todas elas fagueiras, faceiras, lambisqueiras e senhoras de muita treta. O atrevimento, a curiosidade juvenil e a postura real com que a autora descreve a golpelha, nada mais é do que o desenvolvimento da astúcia ladina que irá permitir que a Sebastiana cresça nos campos e quem sabe, um dia, venha a deixar a sua prole. Mas o facto da comadrinha Sebastiana ser matreira, é-o sim senhor, não faz dela uma velhaca, como a raposada fabulada por Esopo, Fedro, La Fontaine e outros, e que, diga-se de passagem, fica sempre mal na fotografia. Sabe muito a raposa, mas quem a apanha sabe mais, diz um provérbio. O caricato final da história não deixa margem para dúvidas sobre a falta de raposice do Sr. Grilo. O músico ambulante revelou não saber mais; parece mesmo que não chega sequer aos calcanhares da Sebastiana e o seu carma virou-se contra ele, de forma instantânea, a mostrar-lhe que quem se mete com a Mãe Natureza acaba por pagar, cedo ou tarde, a sua impertinência, e no caso particular, com um terrível vexame. A aldeia de onde Beatriz Lamas Oliveira nos narra a história acaba por revelar-se um paradigma. Devia haver um Clube dos Couteiros em todas as povoações, pequenas ou grandes; deviam reunir-se muitas tertúlias por esse país fora. Seriam sinais inequívocos de que, por todo o lado, estaríamos preocupados com o equilíbrio da natureza e com a sua conservação.
“Alexandre Valente, Professor Auxiliar do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, coordenador do Grupo Raposa”
Teria sido um excelente dia para apresentar o livro " A Raposa Sebastiana".
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A raposa Sebastiana, de Beatriz Lamas Oliveira
A Sebastiana é uma raposeta das autênticas; uma verdadeira representante da espécie raposina. Seguramente de estirpe aristocrática, como sugerem os nomes dos progenitores, D. Fuas e D. Mécia; e faz jus à sua genealogia, com as maneiras herdadas de muitas gerações de Salta-Pocinhas, todas elas fagueiras, faceiras, lambisqueiras e senhoras de muita treta.
O atrevimento, a curiosidade juvenil e a postura real com que a autora descreve a golpelha, nada mais é do que o desenvolvimento da astúcia ladina que irá permitir que a Sebastiana cresça nos campos e quem sabe, um dia, venha a deixar a sua prole.
Mas o facto da comadrinha Sebastiana ser matreira, é-o sim senhor, não faz dela uma velhaca, como a raposada fabulada por Esopo, Fedro, La Fontaine e outros, e que, diga-se de passagem, fica sempre mal na fotografia.
Sabe muito a raposa, mas quem a apanha sabe mais, diz um provérbio. O caricato final da história não deixa margem para dúvidas sobre a falta de raposice do Sr. Grilo. O músico ambulante revelou não saber mais; parece mesmo que não chega sequer aos calcanhares da Sebastiana e o seu carma virou-se contra ele, de forma instantânea, a mostrar-lhe que quem se mete com a Mãe Natureza acaba por pagar, cedo ou tarde, a sua impertinência, e no caso particular, com um terrível vexame.
A aldeia de onde Beatriz Lamas Oliveira nos narra a história acaba por revelar-se um paradigma. Devia haver um Clube dos Couteiros em todas as povoações, pequenas ou grandes; deviam reunir-se muitas tertúlias por esse país fora. Seriam sinais inequívocos de que, por todo o lado, estaríamos preocupados com o equilíbrio da natureza e com a sua conservação.
“Alexandre Valente, Professor Auxiliar do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, coordenador do Grupo Raposa”